Profissão: Ciências Biológicas (Biologia)

Olá, pessoal!!

BiologiaComo eu disse para vocês na página Sobre, sou bióloga e me formei na UNESP. Direto vejo na internet matérias sobre profissões, feitas principalmente para os vestibulandos conhecerem um pouco sobre cada área de atuação. Depois que vi vários vídeos e postagens sobre a profissão do biólogo é que cheguei à conclusão de que a maioria dessas matérias são pouco aprofundadas e não dão uma noção real sobre a atividade profissional da área.

Decidi, então, contar um pouco sobre o curso de biologia que eu fiz, sobre as minhas experiências no curso, sobre o que é importante considerar quando você vai escolher qual faculdade cursar, e as impressões que eu tenho hoje sobre a realidade de ser bióloga.

Basicamente, espero responder as seguintes questões:

  • Quais competências são recomendadas que o biólogo desenvolva?
  • Como é o curso de biologia que eu fiz?
  • Como escolher um curso de graduação?
  • Quais são as áreas de atuação do biólogo?

E, principalmente

  • Como está o mercado de trabalho para o biólogo?

Para não ficar extenso e cansativo, vou abordar os tópicos acima em uma série de posts, ok?! Então, continue acompanhando as postagens ;)

1) Quais competências são recomendadas que o biólogo desenvolva?

Bom, primeiro queria dizer que tudo nesse texto é a minha opinião. Ninguém chegou na faculdade e me entregou um manual sobre como o biólogo deve ser, o que é melhor fazer ou não, ok?!

 

Escolhi falar sobre características que eu acredito serem relevantes para o profissional e algumas delas acho importantes até para profissionais de áreas diferentes da biologia.

 

Gostaria que você lesse esse texto refletindo se essas opiniões são as suas, completam as suas, ou se são diferentes do que você pensa.

Primeiramente, queria tocar no assunto clichê da escolha profissional movida pelo amor ou pelo dinheiro. Acredito que a escolha profissional deva ser baseada no AMOR e no interesse que sentimos pelas atividades que serão realizadas dentro da profissão escolhida. Até mais pelo interesse nas atividades que são desenvolvidas pelo profissional da área.

Amor é algo muito passional, e no trabalho não lidamos apenas com o que gostamos. Se você for seguir uma profissão por amor cego, sem pesquisar sobre as atividades práticas do profissional, pode acabar em conflitos com a sua escolha. Assim como quando você descobre que o amor da sua vida está mais para o prego no seu sapato do que para a pessoa que te completa…

O interesse pelas atividades profissionais é um motivo muito mais realista para escolher uma profissão. Você costuma ler, nas horas vagas, livros e sites sobre os assuntos da área pretendida? Pratica como hobby essas atividades? Conversou com profissionais da área, e se identificou com o ambiente de trabalho e com os tipos de pessoas com quem vai conviver? Visitou vários locais de trabalho e acompanhou o dia a dia do pessoal e gostou? Então, grandes são as chances de você gostar daquilo que escolherá fazer!

ganhando_dinheiro_com_blogSe alguém anda te incentivando a buscar uma profissão que dê $$$$, cuidado! Uma coisa que acredito é que quando gostamos muito de algo, nos dedicamos, somos mais persistentes, nos preocupamos com a qualidade do nosso trabalho, e toda essa dedicação traz um retorno financeiro.

Você pode ter a felicidade de descobrir-se apaixonado por aquela profissão que escolheu por dinheiro e não por identificação, mas o que ocorre mais frequentemente é a frustração e o arrependimento. Suponho que não seja isso que você queira para a sua vida. Observe, muitas pessoas que amam o que fazem têm o retorno financeiro, mesmo quando optam por profissões de menos “destaque”, digamos.


Mas, e aí, você que pensa ou sonha em fazer biologia, sabe quais competências podem fazer de você um biólogo mais, digamos, completo?

Responsabilidade, bom senso, e honestidade cabem em todo lugar. Principalmente quando você lida com vidas! Ter responsabilidade precisa ser algo natural para que você se dê bem como biólogo.

  1. Reflexão e curiosidade

02Eu acho saudável que o biólogo seja uma pessoa reflexiva e tenha curiosidade sobre a vida em geral. Afinal, a pessoa que escolhe a biologia como profissão busca contribuir com resultados que respondam, diretamente ou indiretamente, perguntas como: O que é a vida? Como ela começa? Como ela funciona? Como ela evolui? Como a Terra se transformou ao longo do tempo e a vida que havia nela? Como posso contribuir para preservar um local e os seres que ali vivem? Qual a melhor maneira de recuperar áreas degradadas? Qual é essa espécie e aonde ela se encaixa na história evolutiva? E por aí vai.

2. Observação

microscopeO biólogo precisa tentar ser, acima de tudo, um bom observador, um detalhista. É esperado que, dependendo da sua área de atuação, ele analise criticamente um ecossistema e os fatores que influenciam nele, ou o que é visto em um microscópio. É preciso sempre comparar os conceitos teóricos aprendidos com os resultados obtidos pelos equipamentos e com o que é visualizado.

3. Hábito de pesquisar

GridUma característica muito difícil de separar da observação é a pesquisa. O biólogo é um pesquisador. Não quero dizer com isso que todo biólogo vai ou deve seguir a carreira acadêmica (embora essa discussão vá ficar para um próximo papo). Quero dizer que, como em toda ciência, antes de qualquer conclusão a que o biólogo vá chegar, será preciso que ele analise dados e pesquise informações em outros trabalhos, antes de afirmar o porquê das coisas serem ou funcionarem de uma dada forma. Traduzindo, o biólogo tem que praticar sempre a metodologia científica: concluir algo a partir de análises experimentais; investigar na literatura se não está propondo algo que seja falso, e estar sempre atento a informações publicadas por outros pesquisadores.

Frequentemente, o biólogo lida com números fornecidos por um software, um equipamento de laboratório, ou obtidos por técnicas de amostragem, e precisa correlacionar no seu convívio profissional:

FIGURA

Por isso que tanto os vestibulares exigem matemática, física e química como matérias de provas específicas, quanto as faculdades oferecem essas disciplinas nas suas grades curriculares. O biólogo precisa conhecer, no mínimo, o básico sobre as outras ciências que relacionam-se com a biologia.

Mas, calma! Você não precisa se desesperar, porque a necessidade de conhecimento mais aprofundado ou básico em Exatas vai variar com a especialidade que você pretende seguir. Eu só não vou fantasiar a sua cabeça, é preciso lidar com um pouco de cada exata sim… E eu diria que, principalmente a química, porque o funcionamento do corpo de cada indivíduo, as alterações ambientais (como do solo, ar, água), são em grande parte devido a interações químicas.

Uma coisa que eu queria frisar é que com o tempo você vai pegando o jeito. São, no mínimo, quatro anos de faculdade para você experimentar diversas disciplinas e, mesmo que você não se sinta à vontade com alguma delas ou com Exatas, vai perceber que todas vão construir o seu conhecimento biológico. Também é muito natural que você tenha aversão eterna a algumas disciplinas, mas isso não vai te impedir de ser um bom biólogo.

O biólogo precisa ser um pesquisador, também, porque a ciência muda muito rápido! A cada ano são publicados muitos artigos que acabam alterando o conhecimento que se tinha como verdade. Aliás, em ciência é bom que você entenda que nenhum conhecimento é verdade absoluta. As conclusões mudam junto com a evolução da tecnologia e da metodologia utilizada nos experimentos. Quanto mais precisos os experimentos, maior a confiabilidade dos resultados que os profissionais obtêm e, por isso, subentende-se que mais próximo da verdade é aquele conhecimento.

Resumindo, assim como todas as áreas, na verdade, o estudo frequente é necessário para que você seja um profissional atualizado.

4. Leitura e escrita

Tanto para o biólogo pesquisador acadêmico, quanto para aquele que vai trabalhar em uma empresa, um órgão público ou ser autônomo, é necessário ser um bom leitor e escritor. Gente, é muito importante saber ler criticamente qualquer texto, e não só na biologia. Ao entender realmente uma informação, você consegue refletir sobre ela, aprimorá-la, testá-la, e, consequentemente, questionar e construir conhecimento.

Saber escrever bem é necessário para que você consiga informar facilmente o seu leitor, que pode ser um colega biólogo, um profissional de outra área correlata, ou uma pessoa que não está acostumada com o assunto do seu estudo.

Exceto para artigos que serão publicados em revistas que só pessoas especializadas na sua área irão ler, eu gosto de fazer e indico que você escreva o texto como se ele fosse ser lido por pessoas que não tenham a menor noção do que é o seu estudo, dos conceitos que ele abrange, e da sua importância teórico-prática. Isso te obriga a ser simples, claro, explicar objetivamente, e a divulgar o seu trabalho.

Resumindo, a sua escrita precisa ser tão clara que o leitor que “não sabe nada de biologia” ou que “sabe mais de uma área da biologia que você” deve ser capaz de entender tudo o que está escrito, de avaliar o conteúdo, e ainda explicar para outra pessoa o seu texto.

Senão, ninguém perceberá o impacto do seu trabalho para o mundo.

Ah, e se você tiver como habilidade extra os dotes de marqueteiro e souber vender o seu peixe com uma escrita sedutora ou com um discurso encantador, ótimo! Se não, tudo bem, você vai pegando as manhas com o tempo.

5. Inglês

ViagemEstudar inglês paralelamente à faculdade é muito bom, e adquirir fluência te abre portas já durante o curso, quando você pode tentar um intercâmbio pelo Ciências Sem Fronteiras ou através de convênios que a sua universidade possui com universidades e centros de pesquisas de outros países.

Ainda, a atualização profissional depende de muita leitura e, em grande parte, de textos em inglês. Não digo que você precise ser fluente* logo no início, mas é bom que tente aprender até o nível intermediário do idioma, ou o máximo de inglês técnico que puder.

* No caso, deve-se entender por fluência, aquele estágio em que você consegue se comunicar com facilidade: entende o que falam e responde diretamente no inglês, sem precisar ficar traduzindo mentalmente as frases do inglês para o português, e vice-versa.

Não quero dizer aqui que a sua pronúncia precisa ser impecável. Aliás, é bem discutido por aí se ser fluente significa realmente falar como um nativo. O que parece ter mais aprovação geral é a teoria de que ser fluente significa entender os outros e se fazer entender com naturalidade ;)

Seja nas disciplinas ou no seu estágio, você vai ter que ler artigos em inglês e, algumas vezes: explicar e/ou analisar o que foi lido; oralmente ou em textos; em sala de aula, resumos e trabalhos em congressos, ou no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

E, sim, dependendo da ocasião, vai ser preciso escrever textos em inglês… O Abstract do TCC é um pequeno exemplo. Trata-se do Resumo do seu trabalho em inglês.

Se pretende prosseguir com os seus estudos até uma pós-graduação (mestrado, doutorado), aconselho que estude inglês até o nível intermediário e seja fluente. Primeiramente, porque inglês é pré-requisito para o mestrado, e, também, para que aproveite ao máximo congressos internacionais, intercâmbios, leitura e escrita de artigos, etc. Em suma, para que você divulgue bem o seu trabalho. É bom lembrar que doutorados exigem, além do inglês, habilidade de leitura em um outro idioma.


Existem outras competências que são necessárias ao biólogo, mas que são específicas de cada área de atuação que ele escolher.

Sabe, não se assuste! Falar de carreiras envolve tantas exigências que até paralisam a gente!!! Não sinta-se inibido ou duvidando de si mesmo. Não se esqueça de que essas aptidões são desenvolvidas aos poucos, ao longo do curso, que dura de quatro a cinco anos. Você terá todo esse tempo para amadurecer. E, quem sabe, mais dois anos de mestrado e mais quatro de doutorado.

É tempo, hein?! Dá tempo! E você vai se surpreender com a sua própria evolução na faculdade. Olha o meu exemplo:

No primeiro ano eu gaguejava em todos os seminários. Tinha pavor de falar em público, porque sou tímida. Além disso, tinha um histórico da infância em que eu paguei vários micos nos palcos da escola, que me inibiram completamente de me expor para as pessoas!

Depois de ser “forçada” a apresentar trabalhos, seja por sorteio, seminários em que todos tinham que falar, ou até pela grande quantidade de seminários por semestres, eu acabei aprendendo a apresentar conteúdo.

Confesso que o frio na barriga não me abandona nunca, mas, depois dos primeiros slides, eu me empolgo tanto que até falo demais!

E desenhar, então?! Antes eu malemá desenhava homens palitos (tortos!). Tive que desenhar células, tecidos de plantas e animais, porque valiam nota. Tive que aprender na marra e até consegui fazer uns caranguejos e libélulas decentes que, confesso, tenho guardados até hoje como lembrança da glória!!!

Minha primeira recuperação na vida foi em Análise Experimental de Dados (Bioestatística), e nem por isso eu desisti do curso, não me formei ou deixei de ser boa em algumas áreas da biologia.

Tudo isso para te dizer: calma! Os desafios virão a vida toda, e você vai se surpreender positivamente com os seus resultados se tentar e acreditar ;)

Força, pessoal!

Se você é biólogo, e quer comentar aqui sobre as suas experiências na faculdade ou na profissão, ou acrescentar algum ponto que eu esqueci de colocar no texto, fique à vontade!

Se você sonha em ser biólogo ou tem dúvida sobre se deveria seguir essa profissão, vem conversar comigo nos comentários ou por email (ma.bootscarrier@gmail.com).

Quer conversar sobre alguma coisa que eu coloquei no post e você discordou? Escreve para mim nos comentários. Se não, até o próximo post :)

Beijão!

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